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Octavio Caúmo Serrano   caumo@caumo.com

Segundo os dicionários, crise é a situação grave em que os acontecimentos da vida social, rompendo padrões tradicionais, perturbam a organização de alguns ou de todos os grupos integrados na sociedade. O que motiva uma crise? A resposta não é difícil. Os boatos, a ingenuidade, as conveniências dos poderosos, a imprevidência das pessoas. A maioria repete que estamos em crise, mas nem sabe explicar por quê.

Quando eu era industrial no ABCD e o senhor Lula vivia às portas das fábricas insuflando as greves, nunca paramos um dia, porque pagávamos aos funcionários salários mais altos do que recomendava o Sindicato dele. Mesmo assim, um funcionário entrou na minha sala e deu-se este diálogo: – Seu Octávio. O senhor precisa me dar um aumento. – Por que você acha que eu deva lhe dar um aumento? – Porque a situação está muito difícil. –Por que você acredita que a situação está difícil? – Ah, não sei; estão dizendo por ai que a situação está difícil… Isto em 1970 mais ou menos! Crises e habituais reprises!

O que gera uma crise? Está tudo bem e, de repente, ela aparece. Se eu creio na crise e não compro, a loja não vende. Se ela não vende, a fábrica também não. Se ela não produz, despede funcionários, recolhe menos impostos e entramos todos em crise. Se eu disser que a cozinha de certo restaurante é suja, as pessoas deixam de comer lá e o restaurante pode fechar. Se eu divulgar que certo Banco não tem dinheiro para pagar a um só tempo todos os correntistas, (o que é verdade porque o dinheiro do banco está aplicado com empréstimos) posso até comprometê-lo. E quem festeja é a mídia, porque quanto mais problemas mais manchetes! Como são importantes os escândalos!

Vejam que mesmo nas crises, os poderosos crescem e os juros sobem. É fácil fabricar uma crise. Mas a única crise que deve nos preocupar é a de vergonha, de honestidade e de ânimo. Vivamos com equilíbrio, trabalhando e desdenhando a crise. E ela não chega até nós. A crise econômica é reguladora para os desmandos humanos. Sempre haverá o fracassado e o bem sucedido, com as crises ou sem elas. Escolha o que deseja para você.

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 21/10/2015

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Receita de soneto             Octavio Caúmo Serrano  caumo@caumo.com

Depois da semana modernista de 1922, 11 a 18 de fevereiro, no Teatro Municipal de São Paulo, as artes sofreram uma revolução. Pintura, Escultura e Poesia, passaram a ter liberdade que não tinham. A partir desse evento, o poeta livrou-se do engessamento das rimas e das métricas, nascendo o verso branco ou livre. Uma alforria cultural, garantem!

Não vamos falar dessa liberdade nem opinar sobre o verso livre. Fiquemos no soneto, ainda muito ao gosto do povo e dos poetas, dos cantadores e até dos modernistas que se encantam e também os compõem. É forma sintética de contar uma história, filosofar ou dar um recado em apenas catorze versos; duas quadras e dois tercetos.

Há sonetos de bom conteúdo, com cesuras corretas (a divisão que dá ritmo ao verso), mas que falham na amarração das rimas, porque o autor ignora que as terminações da primeira quadra devem ser obrigatoriamente as da segunda. Mesmo que numa seja ABBA e na outra BAAB; ou ABAB e na outra BABA. Nos tercetos há total liberdade. Podem ser AAB e CCB ou ABA e CBC ou ABC e ABC. Cada letra representa uma linha (um verso) do soneto. Para confirmar o que dissemos, leiam os clássicos: Bilac, Jansen Fº, Augusto, Raimundo, Rogaciano, Otacílio, Perylo, Auta de Souza, Oliveira, Camões,  etc.

Exemplificamos com o belíssimo soneto de Djalma Andrade, mineiro de Congonhas do Campo, Ato de Caridade. Confiram: Que eu faça o bem, e, de tal modo o faça/Que ninguém saiba o quanto me custou./Mãe, espero de ti mais esta graça/Que eu seja bom sem parecer que o sou. Que o pouco que me dês me satisfaça/E se do pouco mesmo algo sobrou/Que eu leve esta migalha onde a desgraça/ Inesperadamente penetrou. /Que à minha mesa, a mais, tenha um talher/Que será, minha mãe Senhora Nossa,/Para o pobre faminto que vier./Que eu transponha tropeços e embaraços,/Que eu não coma sozinho o pão que possa/Ser partido por mim em dois pedaços.

Vamos seguir sonetando. Mas agora, corretamente.

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 10/10/2015

Octávio Caúmo Serrano – 6/10/2015

Certa vez alguém quis me convencer
Que na vida eu jamais iria morrer,
Mas só mudar o jeito de ter vida;
Que eu seria etéreo, bem mais leve,
Pois não é só este momento breve
Que a essência do ser tem pra ser vivida.

Não mais precisaria das comidas
Que vêm acompanhadas por bebidas
Além de outros complexos vitamínicos.
Diz que eu seria depois energizado
Pelo amor que eu houvesse acumulado
E não teria problemas endocrínicos.

Disse que eu sou uma alma que num dia
O Deus Pai me criou com a primazia
De ter como presente a eternidade…
Por isso devo seguir meu destino
Fazendo da alegria um eterno hino
Crescendo sem parar, rumo à verdade!

Depois que eu conheci o Espiritismo
Passei a ter então mais otimismo
E crer que isto até pode ser verdade;
Porque se o que Deus faz sempre é perfeito
É justo que reserve esse direito
A todos os que viverem com hombridade!…

Então me decidi e estou mudado;
Me sinto muito mais encorajado
Para enfrentar as dores desta estrada;
Serei muito feliz; aliás, já sou,
Porque sei que o Pai Deus só me criou
Para ser como o sol numa alvorada!

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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