Quando lembro a tua face de carmim,
Que mil vezes eu beijei com tanto amor,
Veem-me lágrimas aos olhos, e um ardor
Rasga o peito, numa dor que não tem fim.

Quando vejo teu retrato desbotado,
Pelo tempo e pelos males que causei,
Meu espírito solta um URRO que não sei,
Se de mim, ou de algum monstro esquartejado.

Se eu pudesse desfazer todo o passado,
E morrer antes de ter te conhecido,
Pelo menos não terias, tu, sofrido,
Nem seria eu, um cão, desesperado.

Mas espero que este tempo malfazejo
Que nos trouxe tanta dor, tanto sofrer,
Lá nos Céus, aos pés de Deus, possa inverter,
Me perdoes e me acalentes com teu beijo.

(Dornélio B. Meira)

João Pessoa, PB, 09/10/2015.

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