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Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Surgem sem que os percebamos. Nossa posição, situação e evolução, fazem com que pessoas se enciúmem das nossas qualidades. Sem falar de trabalhos que nos obrigam a atitudes que acabam nos criando desafetos. Como exemplo, um chefe a quem compete demitir pessoas pela necessidade do equilíbrio da empresa. Por mais delicada que seja a atitude e a maneira de dar a notícia, a revolta é automática. Provoca mágoa e cria inimizade.

Outros momentos em que fazemos inimigos são quando: censuramos o preguiçoso por sua ociosidade; enaltecem nossa inteligência ante um ignorante pretensioso; somos educados diante de um grosseirão; exercitamos a paciência à frente de um estouvado; mostramos fé a um ateu; somos descontraídos perante um introvertido; cultivamos a humildade junto a um orgulhoso; somos desprendidos ao lado de um egoísta; recebemos elogios na presença do invejoso; enaltecem nossa beleza diante de alguém menos bonito e complexado… Etc…

Nessas oportunidades, criamos inimigos sem ter culpa. Nada fizemos para ofender o outro. Mas diante do inseguro, do incompetente, nada precisamos fazer. Ele se ofenderá não pelo que lhe fazemos, mesmo que só lhe ofereçamos atenção e gentileza; o que o incomoda é como somos. Não somos superiores, mas eles se sentem inferiores!

Se tivermos a oportunidade da convivência, podemos amainar as desavenças; se pudermos fazer com que o outro nos conheça melhor e se adapte às diferenças, entendendo que na desigualdade também existe harmonia, e que todos têm seu próprio lugar, então a inimizade poderá ser suavizada e até vencida. Mas é preciso habilidade. Quando nos aproximamos do outro ele já tem opinião formada a nosso respeito e não serão atitudes esporádicas que mudarão seus conceitos. Mas como quem tem mais deve dar mais, cabe-nos, se estamos nessa condição, tomar a iniciativa para que o entendimento se estabeleça.

Como o importante é fazer amigos, e isto sim depende de nós, compensemos os prováveis inimigos convivendo com os que se agradam por estar ao nosso lado; que se sentem bem junto a nós, têm interesse em ensinar-nos e também em aprender conosco. E quanto aos inimigos, deixemo-los com suas próprias inquietações. O tempo é o melhor professor!

Jornalista e poeta

Correio da Paraíba de 1/5/2015

Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Quase todos nós reclamamos da vida. Queixamo-nos por não receber de Deus certas regalias que pensamos merecer, sentindo-nos injustiçados. O que acontece é que estamos com nossas gavetas sempre abarrotadas e nelas não cabe mais nada. Ainda que o Poder Supremo  tenha a intenção de nos premiar com algo, não há espaço para que Ele deposite tais benfeitorias, seja nas gavetas do nosso armário ou nas do nosso coração.

Temos roupas que não vestimos há muito tempo, mas não nos desfazemos delas. Ocasionalmente, foram presentes da sogra que ficaria ofendida se déssemos a outro o que ela nos deu com tanto carinho. Deu, mas continua dona! Poderíamos transformar aquela roupa na alegria de muita gente que não tem o que vestir. Como a gaveta está cheia, Deus pretendia encaminhar-nos uma nova e até mais bonita, mas não encontra espaço.

Se falarmos das gavetas do nosso coração, cheias de mágoas, de insatisfações, de orgulho, de insegurança, veremos que é impossível receber certos presentes que nos deixariam muito felizes. Não cabem na mesma gaveta o egoísmo e o desprendimento; a tristeza e a alegria; o orgulho e a humildade; a mágoa e o perdão!

Para que recebamos de presente certas virtudes, evidentemente que conquistas resultantes do nosso empenho, é preciso que o defeito antagônico desapareça; ou temos fé ou não cremos que Deus é o Senhor de todas as coisas e só permite certos acontecimentos desagradáveis na nossa vida como aprendizado. É nas crises que crescemos. Acreditamos nisso? Vejam, senhores, a frase de Chico Xavier que retrata esta verdade: “É quando a noite se enche de luto que o homem divisa o esplendor das estrelas.”

Além das gavetas do armário e as do coração, temos as do pensamento: quase sempre entulhadas de assuntos negativos. Vemos o caos em tudo; reclamamos se chove ou venta e se faz frio ou calor. Esquecemos que somos inquilinos de uma casa perfeita, onde moramos de favor, sem pagar aluguel nem condomínio, além de nela aprendermos de sentimento e razão,  de solidariedade e esperança, embora nossa presença seja quase sempre negativa porque ajudamos mais a destruí-la que a melhorá-la!

Você que já tem algum entendimento, comece a esvazias suas gavetas, as físicas e as da alma, para receber de Deus presentes de durabilidade permanente; seus para toda a eternidade. Os únicos realmente seus e que poderá levar quando deixar esta morada provisória!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba – 24/04/2015

Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

“Quem tem fama, deita na cama”, diz o povo. Por isso, Rio e São Paulo são tidas como as cidades mais violentas do Brasil. Todavia, em recente e triste estatística, quando a ONG Conselho Cidadão pela Seguridade Social Pública e Justiça Penal, do México, apontou a existência de dezenove cidades brasileiras entre as cinquenta mais violentas do MUNDO, ou seja, 38%, entre elas não estão as duas acima mencionadas.

San Pedro Sula, em Honduras, na carente América Central, é a líder deste ranking que envergonha a humanidade. Ocupa esta posição há quatro anos, seguida da bela Caracas, capital da Venezuela, da linda Acapulco, México, e da verde João Pessoa (4ª), com 640 mortes em 2014. A primeira do Brasil. Ademais, preocupa-nos ver cidades brasileiras tranquilas, que serviam de modelo de vida, como Porto Alegre e Curitiba, estrearem este ano nesta lamentável relação.

Entre as brasileiras, que é o que nos interessa analisar, além de João Pessoa, estão Maceió (6ª) Fortaleza (8ª) São Luiz (10ª), Natal (11ª), Vitória (15ª), Cuiabá (16ª), Salvador (17ª), Belém (18ª), Teresina (20ª), ( Goiânia (23ª), Recife (29ª), Campina Grande (30ª), Manaus (33ª), Porto Alegre (37ª), Aracajú (39ª), Belo Horizonte (42ª), Curitiba (44ª) e Macapá (46ª).

Do exterior, os Estados Unidos colaboram com quatro cidades, México com meia dúzia e Colômbia com outro tanto. O Brasil ganhou esta triste estatística, de goleada.

Foram contempladas todas as regiões brasileiras, subordinadas ao mesmo poder central. As violentas Chicago, Nova Iorque, Washington, São Paulo, Rio, Bogotá não estão entre essas cinquenta. Nem nos miseráveis países africanos, ou nas belicosas regiões onde se digladiam árabes e judeus, nem na Índia com a sua miserável Calcutá, há o que temos por aqui. Realmente, o Brasil está cada vez mais doente! Mas só nos preocupamos com a inflação e o PIB!

Algo não vai bem por aqui onde o Apocalipse age com mais força. E como o Espiritismo diz que somos o Coração do Mundo, a Pátria do Evangelho, nossa paciência, resignação e, por que não dizer, nossa reação, têm de ser aumentadas. Lembremos a questão 932 de O Livro dos Espíritos (1857): “Por que, no mundo, os maus quase sempre exercem maior influência sobre os bons?” Resposta, “pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos e os bons são tímidos. Quando estes o quiserem, predominarão.” Pena que nos falte coragem!

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba de 17 de março de 2015

 

Octávio Caúmo Serrano – caumo@caumo.com

Segundo Divaldo Pereira Franco, maior orador espírita da atualidade em todo mundo, um projeto de natureza divina, conhecido entre nós como Transição Planetária, explica que estamos no limiar de importantes mudanças na Terra que passará de mundo de provas e expiações para mundo de regeneração. Isso já faz parte de antigo planejamento celestial e não se dará, obviamente, num passe de mágica; trata-se de um processo de transformação lento e gradual, mas improrrogável. Sempre ocorreram, de forma menor e mais suave com a mudança das sociedades. Na contagem do tempo do Criador, os séculos são segundos e os milênios são minutos!

Tragédias naturais são recursos para que a Humanidade progrida mais depressa; o expurgo de Espíritos contrários à evolução moral e espiritual já não pode mais ser adiado. A mudança do planeta favorecerá alterações urgentes e necessárias que farão do homem um ser consciente dos seus deveres para com Deus, com o próximo e com ele próprio. É fácil perceber que estamos mergulhados no Apocalipse e que cada um de nós é um personagem desta intrigante novela. O texto já não está só na Bíblia, mas na imprensa falada, escrita e televisada, que exibe um capítulo por dia. O final das dores demorará um pouco! Já passamos pela era glacial há 20.000 anos, pelo dilúvio asiático há 2.400 anos, por guerras e tudo se harmonizou. Não será diferente neste novo ciclo.

Por amor aos bons, muitos serão poupados e se integrarão à nova fase do nosso orbe juntamente com espíritos de maior hierarquia que reencarnarão para atuar como dirigentes nos países na nova Terra. O projeto diz que daqui a uns vinte anos duzentos e cinquenta mil deles virão ao mesmo tempo para essas importantes funções. Podemos comprovar o dito pela recente e inesperada queda de ditadores, o que nunca se viu com tanta velocidade, depostos ou mortos por enfermidades, e pela corrupção que está com os dias contados. Espíritos de grande inteligência estão chegando há algum tempo, o que cada um pode observar na sua própria casa, entre filhos e netos. Crianças prodígio, com facilidades para ciências e tecnologias, artes e defesa do meio ambiente; diferentes do comum de nós, mais comprometidos com a Terra mãe e de maior senso moral.

Este comentário visa animar-nos e demonstrar que o barco não está à deriva; Deus não perdeu o controle e o mal não triunfou como parece. Estamos num tempo de amadurecimento para corrigir nossas deficiências e ignorâncias. Tomara mereçamos ficar ou renascer na Terra do futuro; será um prêmio. Com fé, sigam a história com cuidado e confiram! Mas sem esquecer que cabe a cada um, individualmente, preparar seu lugar na Nova Terra do terceiro milênio.

Jornalista e poeta

Correio da Paraíba – 11 de fevereiro de 2015

 

Ideias                            Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

Ninguém tente anular uma ideia destruindo-a ou matando o seu autor. Isto só se consegue apresentando uma ideia que lhe seja superior.

Quando em 9 de outubro de 1861, às 10h30 da manhã, o bispo ordenou a incineração de livros espíritas na esplanada de Barcelona, ação que ficou conhecida como Auto-de-Fé, não imaginava que graças ao seu zelo imprudente toda a Espanha iria ouvir falar de Espiritismo e quereria saber o que é. “É tudo o que desejamos”, disse o Codificador da Doutrina, o professor Allan Kardec, que não recorreu contra a arbitrariedade de V. Ex.ª Revma ,Antônio P. Termes, apesar de os livros terem sido legalmente exportados.

Queimam-se livros, monumentos e pessoas, mas não se podem queimar ideias. Elas vivem no éter e sempre há quem queira aspirá-las. Se verdadeiras, sobreviverão às atrocidades e gestos de ignorância; a proibição incentiva a curiosidade e dá mais força ao que foi camuflado!

Não fosse isto uma verdade e a inquisição, que durou vários séculos, teria destruído não apenas os médiuns, chamados bruxos, mas também a mediunidade. E ela é um dos maiores patrimônios do ser humano. Todo homem é médium e mesmo que não tenha tarefas definidas, é por meio da inspiração que vem do mundo Superior que cientistas recebem revelações, poetas e compositores sintonizam com as artes e esquizofrênicos se ligam à espiritualidade inferior para alimentar suas loucuras e fantasias. A sintonia existe sempre e a escolha é nossa para definir ao que desejamos nos ligar. Há médiuns em qualquer religião e mesmo entre os ateus.

Os homens mataram o Cristo, mas não destruíram nem abalaram o cristianismo. Ele sobreviveu e das raízes das catacumbas expandiu-se para chegar vigoroso até os nossos dias. Hoje o vemos no catolicismo, no protestantismo, no espiritismo e noutros credos que seguem as máximas de Jesus; a essência, porém, permanece a mesma e a máxima dos dois primeiros mandamentos mosaicos, “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”, condensados num só pelo Mestre Galileu, segue mais atual do que nunca. É também a mais pura mensagem para a paz do mundo e amor entre os homens que a Terra já recebeu. A maior mudança social feita por apenas treze homens: um guia e seus doze discípulos!

Há dois tipos de tolos: o que acredita em tudo e o que não acredita em nada; não sejamos como nenhum destes dois. Se não sabemos, perguntemos; se não entendemos, insistamos; se não concordamos, vamos dar tempo ao tempo. É sempre possível que os equivocados sejamos nós…

Jornalista e poeta

Jornal Correio da Paraíba de 27/01/2015

 

Octávio Caumo Serrano – caumo@caumo.com

O egoísmo está presente na nossa vida desde que nascemos. Afinal até os verbos são conjugados na forma eu, tu, ele; primeiro sempre eu.

Observem como as pessoas constroem as frases. Eu, minha mulher e meu filho, saímos de férias; eu e o meu amigo, fizemos o trabalho. O eu começa as frases e se os demais forem esquecidos não importa. O eu está lá firme e soberano!

Esta egolatria inconsciente é o espelho da nossa inferioridade. A falta de educação que observamos até nos noticiários, coloca também, além desse culto ao ego, o nome do homem habitualmente antes da mulher. O cavalheiro é todo qualificado, inclusive profissionalmente, para elevá-lo e distingui-lo, deixando a parceira como mero apêndice. “O Dr. Fulano de tal, médico, especializado em terapias transcendentais, etc., e sua cicrana, na festa do casamento.” Que menosprezo! Normalmente, nem sobrenome ela tem. Esquecemo-nos das máximas evangélicas “os últimos serão os primeiros” e “quem se exalta será humilhado”.

Isto se deve ao nosso desconhecimento dos mecanismos para relacionar-nos com Deus e com o semelhante. É comum entre namorados um pedir ao outro: “diz que me ama; eu preciso tanto de você.” Não cogita das necessidades do outro. Quando a mulher fica viúva, normalmente lamenta e diz “o que vai ser de mim agora?” “Ele não podia ter feito isso comigo!” Não lhe interessa o inverso: “o que será dele agora?” “Como irá se ajustar à nova “vida?”…

Quando Francisco de Assis nos deixou a oração que diz “é dando que se recebe e perdoando que se é perdoado”, entendemos que precisamos dar algo para depois receber de alguém a compensação, ou perdoar primeiro para merecermos também o perdão do outro ou de Deus. Mas não foi que o santo ensinou. Nós é que não entendemos nada! Não funciona assim.

Ao perdoar o outro, é a nós mesmos que perdoamos porque tiramos de dentro de nós mágoas que o outro provavelmente nem sinta. Quando amamos, produzimos primeiro no nosso íntimo o amor que oferecemos. Ninguém dá o que não tem. Se o outro não receber, nós já o temos por iniciativa própria. O cantor Júlio Iglésias disse numa de suas canções: “Não penses que te guardo algum rancor, é sempre mais feliz quem mais amou e este sempre fui eu.” Daí, preferível amar a ser amado! Difícil entender?

Dizia o nosso velho e bom Chico Xavier: “Fica sempre um pouco de perfume na mão de quem entrega flores.” Está claro, agora? Nossa alegria ninguém sente por nós!

Jornalista e poeta

Publicado no Jornal Correio da Paraíba em 1 de janeiro de 2015.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
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