Era uma rua de barro,
No bairro da minha rua,
Onde escorreguei no barro,
Do bairro da minha rua…

O meu pé de pele nua
Deixou marcas no passado
No barro todo amassado,
Do bairro da minha rua…

Nos pés que deixei pisados,
Ficou saudade que amua
Do barro todo espalhado
Do bairro da minha rua…

Eu também nasci do barro,
Que em meio à água flutua,
Sou, portanto, um pouco barro
Do bairro da minha rua…

Se do barro nós nascemos
E depois fomos soprados,
Um dia retornaremos
Ao velho barro amassado…

E em minha hora final,
Quando a alma se cultua,
Serei também lamaçal,
Do bairro da minha rua…

Desde o início, tu finges que me ama
E eu correspondo e finjo que acredito!
Quem nos olha diz “é um amor bonito,
Bem mais quente que o fogo de uma chama”!…

Nenhum dos dois jamais de algo reclama;
Se conversamos, não se ouve um grito
Nem um comportamento mais aflito;
Sou para ti o Senhor, és a Madama…

Pena que é só uma névoa de aparência,
Exercício da nossa resistência
Para trilhar, fingindo, a nossa vida…

Oxalá que nós dois nos toleremos
Até o fim e, ao final, nos abracemos,
Ao pedirmos perdão na despedida!…

O que são meses ou dias, o que é o tempo e seus anos, senão simples utopias, de festas ou desenganos, calcados nas correrias, entre o divino e o profano?!

Supomos que o tempo passa, mas somos nós que passamos e o gozado perde a graça depois que conta nos damos.

Uns vivem anos demais, mas não usam como devem. Almejam chegar à paz, ociosamente, com greves, contra a vida generosa que querem lhes seja leve; não percebem que esse tempo, será sempre um tempo breve.

Mas há quem vive somente poucos anos, mal vividos, e sai da vida feliz, apesar de ter sofrido; se alguém lhe falar das dores, já as terá esquecido.

Assim é a vida na Terra, de felicidade parca, onde segue cada um navegando em sua barca e quando vai para o túmulo, ali registra uma marca. “Aqui jaz”, é um costume, escrever-se sobre a lousa, que todos foram do bem, homem respeitou a esposa e a mulher ao seu marido, mesmo sendo mariposa. Não se vê escrito por cima nada que nos incrimina, mesmo sendo de má vida, ali o registro é sublime, bem perto da angelitude, quem desejar, que examine.

É uma pena, entretanto, que Deus conheça a verdade e aquele que foi um falso, vai colher na eternidade, o resultado das burlas, das suas atrocidades. Vai ficar de tal tamanho, diminuto e reduzido, que haverá de arrepender-se de ter nascido ou morrido, de ter feito tanto mal e tanta gente agredido.

Esta vida no planeta é teste para o que é forte. Ficar rico, ser bonito, não é algo que lhe importe, mas antes quer ser fraterno e criar seu passaporte, para poder viajar, levando um grande suporte. É um alerta que escutamos, e isto já há milênios, mas seguimos insistindo em não crer porque, qual gênios, pensamos saber de tudo como atores num proscênio.

Abra os olhos e o bom senso, não se prenda no obtuso, procure o discernimento e deixe de ser confuso, foi conselho recebido contra os provérbios difusos. É lida de cada um, pensar e então discernir, para poder por si mesmo, aprender a decidir e plantar no dia de hoje o seu bonito porvir.

Enquanto os governos fazem
Inúmeras reuniões,
Para tentar defender
As suas populações,
Os marginais, simplesmente,
Agem sem preocupações.

Celulares entram e saem
Dos presídios, livremente,
Sem que ninguém interfira
Para brecar essa gente
Que comanda todo o crime,
Mesmo sem estar presente.

Os policiais fazem greve
Enquanto o tumulto cresce
E na hora do sinistro
Ali ninguém aparece,
Pois dizem que ganham pouco
E não demonstram interesse.

Fecham as delegacias,
Vão todos passear na praia
Ou então vão para o campo
Divertir-se na gandaia
E o pobre que se defenda
Com algum rabo-de-arraia…

Avisam sempre os lugares
Onde vão fiscalizar,
Para que os pobres bandidos
Consigam se organizar
E assim na hora dos roubos
Mudem para outro lugar…

Se você ficar em casa
Poderá ser assaltado;
Decidindo ir para a rua
Poderá ser seqüestrado
E se for entrar no mar,
Pode ser atropelado.

Viatura não tem pneu
E até falta gasolina,
Por isso dão poucas voltas
Devagar só até a esquina,
Desde que não seja escuro
E que não tenha neblina.

Por isso que, de repente,
O policial e o bandido
São pegos nalgum acordo
E o dinheiro é dividido;
O governo sabe tudo,
Mas nunca a isso dá ouvido.

Por isso que, analisando,
Vendo o mundo ir para trás;
Num salve-se quem puder
Eu lhe advirto rapaz:
Prepare-se para a guerra
Pois é impossível ter paz!

Segue na rua como um maltrapilho,                       
A desfilar tal qual um manequim,
Trançando as pernas… Ela vai assim,
Com altivez, a derramar seu brilho.

Em passo lento, como um andarilho,                              
Sempre sorrindo ela exibe, enfim,
Todo o seu charme, os lábios de carmim,
Pois o farrapo não lhe é empecilho.

Pelo seu porte, vê-se que é rainha;
Como se ouvisse alguma louvaminha,
Comprove como alegre se conduz!

Altiva segue, sem olhar de lado,
Pois em seu corpo, todo esfarrapado,
Mora uma alma que só espraia luz…