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Poema de Elaine de Souza Castro – Acadêmica da Alane PB e membro do GIP – Grupo Itinerante da Casa da Poesia, João Pessoa-PB

Ser mãe é dizer sim um certo dia
e nunca mais pensar em desistir;
não é viver apenas fantasia:
é ser real, crescer e resistir…
Mesmo se vendo pouco graciosa,
achando o corpo menos sedutor,
há de ficar bastante vaidosa
da parceria com o Criador…
Pois ser abrigo de uma vida nova,
ser alimento, fruto provedor;
ser relicário de um botão de rosa,
e ser de fato prova de amor.
Ser mãe é dedicar a vida inteira
a um projeto que se chama filho;
cantar pra ele a canção primeira
e ensinar depois cada estribilho…
Ser mãe é viver de esperança…
Pensar que o filho será sempre seu;
enxergar nele a mesma criança,
se enganando que ele já cresceu.
Mas há outros atalhos no caminho;
e o seu filho entregará a outra
algum dia diante do altar;
e sua filha criada com carinho,
um outro, com certeza, a levará.
Ser mãe é sorrir na despedida
fingindo natural aquele abraço;
escondendo a lágrima caída
resvalada de seu olhar baço…
Ser mãe é olhar para Maria
e entender toda a sua dor;
e a grandeza que a diferencia
por ser Ela a Mãe do Salvador.

02/05/2009

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Quando eu morrer, entreguem meu bagaço
Para quem vive nesta encarnação;
Porque eu mesmo voarei no espaço,
Sem nem olhar meus restos cá no chão.

Quero alçar vôo pela imensidão
E me abrigar em Deus, no Seu regaço;
Não quero mais lembrar de algum fracasso,
Se houve penúria ou mesmo frustração.

Vencida a etapa eu agora quero,
Ter a ventura, o que alegre espero,
De ser feliz como nunca havia sido;

Deixar a carne, que é uma dura cela,
Vencer tormentas e mesmo procelas,
Ser vencedor, não mais ser um vencido!

e aboliram o condicional…

Antigamente os verbos tinham certa conjugação que nestes dias foi atrofiada pelos marqueteiros. O futuro do indicativo ou do condicional desapareceu da gramática brasileira, embora eles tentem unificar o idioma para os diversos paises que o falam.

No meu tempo de escola primária nós dizíamos: Amanhã irei lá. Apenas um verbo. Hoje eles dizem: Amanhã estarei indo lá. Dois verbos.

Antes dizíamos: O evento se realizará entre 18 e 20 deste mês. Um verbo. Agora é assim: O evento estará sendo realizado entre 18 e 20 deste mês. Três verbos.

No condicional nos expressávamos da seguinte maneira: Ele prometeu que amanhã iria lá. Hoje, complicadamente, se diz: Ele prometeu que amanhã estaria indo lá.  Amanhã lhe telefonarei, falávamos nós.  Mas eles dizem: Amanhã estarei lhe telefonando. Em vez de “um momento, vou transferir a sua ligação” eles dizem: “um momento, vou estar transferindo a sua ligação.” Complicado e inútil, não é?

Esses modernismos imbecis alastram-se pelos jornais e revistas, desensinando o verdadeiro português.

Arrumaram, além disso, certas muletas linguísticas como através, que serve para tudo. O gol foi feito através do centroavante. Por que não pelo centroavante? Ele soube através do amigo. Não teria sido pelo amigo ou por intermédio do amigo?

Através só se usa para “através mesmo”. De uma vidraça, por exemplo; através do tempo; através do caminho. Fora isso é por, pelo, por meio de, por intermédio do, etc.

Outra muleta pernóstica é acontecer. O evento acontecerá no fim do mês. Se tem tempo certo, não acontece; será ou realizar-se-á. O evento será no fim do mês. O que acontece é algo inesperado: Vinha ele distraído quando aconteceu o acidente. O mesmo que quando se deu o acidente. Depois da tempestade, aconteceu a tragédia.

Já houve o tempo do a nível de, graças a Deus meio sepultado. O que lhe tomou o lugar foi com certeza. Essa expressão se usa tenhamos ou não certeza. Você vai ganhar na loteria? Com certeza. Seu time será campeão este ano? Com certeza. No dicionário está escrito: Certeza, aquilo que é certo; conhecimento exato; coisa certa; Certamente, decerto, evidentemente. Logo não se joga na loteria com certeza, mas numa tentativa.

É bonito, eles pensam. Na verdade, é conhecimento imperfeito do idioma e restrição na forma de expressar-se.

Enquanto reclamamos da ignorância do povo e da mídia, com certeza, eles vão estar falando através do rádio que o espetáculo vai estar acontecendo no dia 25. Se eles pensam que é bonito, quem sou eu para discordar…

Octávio Caúmo Serrano

Doação de órgãos

5/6/2009

Deixo aqui solicitado
A quem for o responsável:
Na hora de me enterrar
Tirem tudo o que é saudável,
Pois eu desejo doar
Aquilo que for viável.

Meu coração bate bem,
Está firme, inda funciona
E se for para outro peito
O novo corpo impulsiona
Fazendo alguém bem feliz
Porque já estava na lona…

Dou dois olhos operados
Porque tinham miopia
E depois com catarata
Que toda a visão cobria,
Mas com cristalinos novos
Postos numa cirurgia.

Eles têm a luz da alma
E quem ganhá-los vai ter
Uma visão muito calma
Que tudo vai resolver
Pois o mundo, mesmo feio,
Vale a pena de se ver.

O fígado está inteiro
Não tem cirrose ou ferida
Nunca o sobrecarreguei
Com os venenos da bebida
E quem recebê-lo pode
Gozar de uma nova vida.

São bons meus rins e pulmões
E tudo o que eu for doar.
Apressem-se no momento
Pra não virem a estragar
Antes de ir pra o cemitério
Vencido para enterrar.

Aliás, por falar nisso,
Incluo neste relatório
Que não quero que me enterrem
Entreguem-me ao crematório
E depois as minhas cinzas
Joguem no mundo ilusório.

Espalhem pelos jardins
Pelos mares, pelos rios,
Dêem como adubo às plantas,
As que sofrem de fastio,
Para que as flores que nasçam
Exultem num vozerio.

Se acaso eu morrer na água
Peço que ninguém se queixe.
Poderei servir ainda
Como alimento pra peixe
Já que comi tantos deles…
Onde eu afundar me deixem.

Não percam tempo com missa;
Quero apenas a oração,
A que Jesus ensinou
Sabida do bom cristão
E nem fiquem no abre e fecha
Chorando no meu caixão.

O que iam gastar com velas
Flores, coroas, corbelhas,
Gastem com pão para os pobres,
Ou degustem uma paelha…
Porque depois dessa hora
Serei só uma centelha.

Se magoei alguém na vida,
E seguramente o fiz,
Foi por pura ignorância
Não foi por mal, porque quis;
Peço perdão de joelhos;
Desculpem este infeliz!…

Podem recitar uns versos,
Se alguém gostar de poesia,
Porém que seja algo alegre,
Sem choro nem agonia…
Porque depois vou voar,
Deixando aqui a fantasia!

Casa de Jose AmericoNotícia interessante!

Os artistas do GIP – Grupo Itinerante de Poesia, que se reune nas primeiras e terceiras quartas-feiras de cada mês na ASIP, recebeu convite de Letícia Maria, atual presidente da Fundação Casa de José Américo, para um recital poético nas dependências da bela instalação na praia de Cabo Branco, João Pessoa, Paraíba.
Foi uma tarde bastante agradável, com versos de todo jeito e a participação do professor Bené, membro da Fundação, professor de matemática que tem poemas explorando a sua especialidade.
Após quase duas horas de entretenimento, a direção da Fundação ofereceu um lanche e cobrou do GIP a promessa de voltar mais vezes. Se possível, entremeando com a ASIP as suas reuniões das quartas-feiras. Uma lá, outra cá, disse Letícia Maia.
O GIP agradece pela acolhida e espera nova oportunidade para voltar à Casa do grande escritor e poeta José Américo de Almeida.

SENAC_BLOG

O Senac de João Pessoa tem na última sexta-feira de cada mês, em sua Biblioteca, uma tarde literária, quando é convidado um artista de qualquer área.
Neste dia 29 de maio, quem se apresentou foi o poeta e escritor espírita Octávio Caúmo Serrano, que falou de seus sete livros já editados  – de poesia e de prosa – e, ao contar sua história, relatou seu encontro com o Espiritismo na década de 1970, despertando nas  quase cinquenta pessoas interesse e atenção.
Falou de sua mudança para João Pessoa, no início de 1997, e cantou a cidade em versos.
Sortearam-se alguns livros e entre eles o Trovas da Codificação, uma abordagem em verso sobre O Livro dos Espíritos.
As revistas da RIE e o jornal O Clarim foram avidamente disputados pelos participantes do evento, composto de público variado incluindo alunos de aprendizado profissional do Senac, quando a bibliotecária convida a cada mês uma das classes. Estiveram presentes também muitos poetas e os Amigos da Casa da Poesia.
Uma tarde agradável, produtiva e cultural. Um projeto interessante, criado por Letícia Maia,  que já é copiado por diferentes SENACs de vários estados.
Numa das fotos, a bibliotecária Lucienne Freire e Jandui, seu colaborador direto, ladeando o convidado.

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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