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“A mão que embala o berço é a que governa o mundo.”
Disse Zulmira Braga, em frase memorável,
Essa verdade pura, e mesmo insofismável,
Ao ver a doce mãe, num afagar jucundo,

Balançando seu filho num gesto amorável,
Com aquele sentimento que busca bem fundo,
O que melhor existe nesse amor fecundo,
Que só de mãe emana, em jorro insaciável.

Deseja vê-lo homem, um nobre cidadão,
Para termos um dia uma melhor nação,
Onde o amor impere e a justiça flua.

Deseja a igualdade, pois tem esperança,
De ver muito felizes todas as crianças,
Sem que haja mais famintos dormindo nas ruas!

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Regava eu o meu jardim, descontraído,
E o trabalho estava quase terminado,
Mas, de repente, vejo um potro, bem suado,
Junto a uma égua. Era a mãe que o havia parido.
.
Por sobre o muro, pus então direcionado
O jato d’água, sobre o chão tão ressequido.
O cavalinho ali chegou e eu, embevecido,
Observava-o a beber do respingado.
.
Logo depois foi-se chegando a mãe, a égua,
Bebeu também aproveitando aquela trégua
Que se instalara entre mim e aquele bicho.
.
Alteando o beiço relinchou e me sorriu.
Dessedentada, passo calmo, ela saiu,
Enquanto o filho ainda bebia a água esguicho.
…..
Do Livro “O Grande Mar”, 2002.

ODE A UMA FOLHA EM BRANCO 

  
Tenho só uma folha em branco e mais vinte e seis sinais, além de alguns petrechos, acentos e coisas tais, aspas, hífens, travessões para dar as pontuações e ser fiel às gestões das regras gramaticais.
Encomendo a inspiração que vem por não sei que meio e na minha transcrição vou dizendo sem receio, o que está no coração e nasce dos meus anseios.
Pode ser uma poesia, das que faço todo dia nos estilos mais diversos, ou pode ser uma prosa que fala de espinho e rosa na cantilena dos versos. Como disse Castro Alves, em seu “Obras Escolhidas” esta trova bem bonita, dessas que alegram as vidas: “Do espanhol as cantilenas requebradas de langor, lembram as moças morenas, as andaluzas em flor”.
A folha está ali calada… Não se mexe nem com o vento… Parece que, respeitosa, aguarda que o pensamento me venha ofertar a frase e, às vezes, ele nem quase percebe o doce momento.
Temos na vida estas folhas para deixar os recados e se houver muitas escolhas escrevemos dos dois lados, deixando mensagens sérias ou farsas de enamorados…
Se não houvesse uma folha com a minha certidão, garantindo que eu nasci e que hoje sou um varão, ninguém saberia de mim e eu seria, no fim, somente suposição!
Isso que eu disse é verdade… Se não fosse o documento, eu até na minha idade não teria o casamento reconhecido por todos e sendo pai de um rebento.
A uma folha se deve, eu digo em relato breve, tanto coisa neste mundo! Um livro é uma turma delas, em seqüência, e na espiadela há um mistério profundo. Novo mundo é descerrado, quando um livro é folheado e bebemos de seu néctar e a inteligência se aguça, fale ele de escaramuça ou algo que se projeta e vem do éter pro cerne, transformando em Deus o verme que o homem ainda o é, por falta de inteligência que embota toda a coerência e não o deixa ter fé.
Hoje em estantes guardados, estão livros, lado a lado, formados de folhas mil; contém os abecedários, as cartilhas, dicionários, para ensinar o Brasil.
Tudo o que hoje está escrito, desde os tempos do infinito, estava solto no ar. Mas depois foi registrado e numa folha marcado para podermos guardar. Sabemos dos dinossauros e até dos monstros centauros pela paleontologia, dos deuses da velha Grécia e das suas peripécias; verdades, mitologias…
Até a história do mundo, que sabemos num segundo ao lermos os Testamentos, é filha desta alva folha, cuja principal escolha era balouçar nos ventos.
A esta folha dou graça, porque desejo, sem jaça, falar da sua importância. Se não a defino bem e se não vou mais além é por pura ignorância!…
Esta folha já foi planta, já deu fruto e flor que encanta e deixa o ar bem mais puro; mas agora, em nova sina, o homem ela ilumina porque lhe ensina o futuro!

A imagem acima é um risco para pintura em óleo sobre tela, de Leonardo da Vinci.
Boletim Informativo "Tribuna Literária"
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